São os desejos dos telespectadores que são postos na TV ou a TV dita o que os telespectadores têm que desejar?
Os conteúdos veiculados na mídia, conteúdos esses que provocam efeitos determinantes nos comportamentos a serem seguidos e de como sofremos influências e os reproduzimos no nosso dia-a-dia. É a necessidade de padronizar o conteúdo veiculado na televisão.
O poder dos mass-media, com destaque a televisão, em construir e disseminar os discursos sociais faz com que se consolidem aspectos culturais de um país.
No caso brasileiro, a cultura machista que ainda impera em pleno século XXI, sob a atuação dos atores sociais (homens, mulheres e mídia) citados na música que escolhi para dar suporte reforça os estereótipos femininos que são, geralmente, depreciativos.
Os homens se aproveitam desse comportamento feminino, mas não respeitam as mulheres que assim agem. São contraditórios os julgamentos que eles fazem: ora apóiam e desfrutam o que lhes é oferecido ora reclamam dessas mulheres e as julgam preconceituosamente. São esses tipos de homens, também, criticados na música: a expressão “bando de bundão” também se dirige a eles.

A garota sangue bom Fernanda Abreu se uniu ao Pensador para contestar a elevação da bunda à categoria de arte, cultura e esporte – como dizem os versos mais afiados do disco. Num país em que mais vale uma bunda do que um cérebro pensante, Gabriel denuncia “a bundalização” sem poupar as mulheres que fazem do tchan o passaporte para a fama e tampouco os homens que incentivam a cultura machista que reduz uma mulher às suas nádegas. Bela declaração de princípios, envolta num refrão poderoso (“A-aha, Arrebita a rabeta”)
A-aha! Arrebita a rabeta!
Arrebita bem a bunda, vagabunda, que a bunda é tudo de
bom que você tem
Sua bunda é alucinante
A rabeta arrebenta, mas beleza não é tudo
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
A música Nádegas a declarar, composta por Gabriel, o Pensador, Liminha, e Fernanda Abreu, critica os valores que a mídia dita como padrões a serem seguidos sobre o corpo feminino, mais especificamente a bunda feminina, e a atuação dos meios de comunicação na criação e propagação desses valores.

Brasil ocupa o primeiro lugar em cirurgias plásticas com fins estéticos a cada ano .
Nesta nossa sociedade industrial contemporânea e pós-moderna, algumas regras conservadoras implicam uma sociedade ainda machista. Nádegas a Declarar, continua sendo o de objeto de consumo e isso acaba instigando a comercialização de produtos eróticos, a “exploração econômica (e talvez ideológica) da erotização”.
A bunda tornou-se um símbolo nacional brasileiro, a partir de sua superexposição na mídia. Mas o que são símbolos? São signo representativos que variam de acordo com cada época, com a moldura políticaeconômica de uma nação e pela consciência coletiva.
A constante visibilidade do corpo feminino, praticada cotidianamente nos diversos meios midiáticos, além de ser influente no comportamento e no imaginário do brasileiro, é, também, necessária para estabilizar um o discurso machista. É aceito como parte da cultura.
Ordem e progresso, sua bunda é um sucesso
Nádegas a declarar, nádegas a declarar
Ordem e progresso, sua bunda é um sucesso
Nádegas a declarar
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
Essa exaltação exacerbada é bem mais visível nas mídias eletrônicas, como a televisão, já que ela é um influente meio, que se aproveita de manifestações artísticas populares e as transforma em grandes espetáculos, através de imagens, estimulando os sentidos dos telespectadores.
Todo mundo tá sabendo que sambar é tropical
No país do futebol e carnaval
Mexer essa bundinha até que é natural
No meu ponto de vista
Sem querer ser feminista
A bundalização é bastante estimulada
Por essa cultura machista
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)

Quando se atravessa o oceano para obter prazer sexual, há algo errado.
Alguns especialistas afirmam que, biologicamente, os homens são mais instintivos e mais estimulados sexu almente pela visão. É na televisão que essa sexualidade é bastante explorada. Partindo dessa teoria, para muitos turistas, a prática do “turismo sexual”, ao qual eles são levados em função dessa “liberdade”, parece-lhes normal, o que contribui para a crescente prostituição, principalmente, de crianças e adolescente, nas cidades brasileiras.
E se você tiver sorte pode ser seu passaporte para fama
Ou pra cama, pode ser seu ganha-pão
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)

Inscrições abertas para o BBB - Big Bunda Brasil
A mídia tem grande importância na propagação de eventos culturais massificados. E não é só no caráter artístico, mas também na exploração do corpo feminino como parte essencial do espetáculo. Essa exploração é feita, por exemplo, em programações que exigem a presença da mulher de corpo malhado, como os programas de auditório (bailarinas), os concursos de beleza, as novelas, as revistas (femininas e masculinas), sites de ensaios sensuais, reality shows. Nessa exploração do exibicionismo feminino, os meios de comunicação percebem a eficácia desses programas na aquisição de valores simbólicos (para mulheres, a ânsia de ser aquele corpo tão visto na mídia; enquanto para os homens, o desejo sexual estimulado) e valores financeiros (lucro), e continuam propagando essa imagem de mulher.
Por isso que esse papo não é só pras menininhas
É pra todos esses caras que dão força, que dão linha
No concurso, na promessa de futuro
No programa de TV e no rádio toda hora pra você
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
Essa bundalização é estimulada pela supervalorização da mulher pós-moderna ainda como objeto sexual e de moda. Essa padronização da mulher na mídia, para estimular os desejos do homem, é cada vez mais explorada, e assim o ser humano mulher fica restrito à sua aparência.
A mulher não almeja ficar bonita para sua satisfação pessoal, mas sim para ooutro (e outra) admirar. É uma maneira de conquistar homens, causar inveja nas mulheres e até mesmo como forma de obter benefícios materiais.
O que que você tem de bom além do bumbum?
Um talento, algum dom?
Ou as suas qualidades estão limitadas
ao balanço dessa bunda arrebitada?
Porque agora bunda é arte, é cultura, é esporte
É até filosofia, quase uma religião
E se você tiver sorte pode ser seu passaporte para
fama
Ou pra cama, pode ser seu ganha-pão
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)

Mas para obter sucesso e, conseqüentemente, a audiência, esses programas não hesitam em tirar proveito dessa imagem depreciativa das mulheres. Permanece o velho chavão dito pelos produtores de televisão, principalmente da televisão brasileira: “dar ao público o que ele deseja”. É aí que pensamos se são os desejos dos telespectadores que estão postos na TV ou se a TV dita o que os telespectadores têm que desejar. Independente da resposta, esse desejo é medido, quantitativamente, pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública). A busca incansável para ser o número 1 deixa as questões éticas e morais em último plano. E essa depreciação é esteticamente camuflada de tal forma que, os que não têm consciência crítica, não enxergam as mensagens “subliminares” presentes nos discursos midiáticos. E entendem que tudo o que é dito na mídia é certo. É a tal da “credibilidade”.
Então encare a realidade com seu olho da frente
E veja a vida de uma forma diferente
Porque uma mulher decente pode ser muito mais atraente
que uma bunda sorridente
Então, garota sangue bom
Se liga na missão, se liga nesse toque
Ser ou não ser, eis a questão
A vida é bem ma is que um número no Ibope
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
Como uma mulher pode ser reduzida a uma bunda? Que a mídia contribui para isso, nós já falamos, mas não podemos deixar de destacar o papel da mulher nessa identificação. A música deixa claro o que muitos homens pensam das mulheres que são conhecidas pela bunda e dão força para essa representação. Explicita também que elas têm o poder de mudar essa situação, é escolha de cada uma: ou passa a ser conhecida pelas idéias e corre o risco de “sair da mídia” ou continua mostrando o “bumbum” e sendo chamada de “piranha”.
Então, garota sangue bom
Se liga na missão, se liga nesse toque
Ser ou não ser, eis a questão
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
Não podemos ter o pensamento maniqueísta de que a mídia é sempre a vilã e os “lombos ambulantes”, de que fala a música, são as coitadinhas. Há sempre a presença dos meios de comunicação, de mulheres e homens, incentivando esse tipo de representação social. Tais mulheres adotam os “personagens” criados para elas: vestem-se como o “personagem”, comportam-se como o “personagem”, falam como o “personagem”. Agem assim porque querem estar visíveis a qualquer preço. É o retrato da sociedade midiática que vivemos.
A-aha! E tira foto fazendo pose de garupa de moto
A-aha! Vai sair na revista e o povo vai dizer que você
é artista
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
Dessa forma, as pessoas que são influenciadas por esses comportamentos assumem esses personagens não só para parecem com as celebridades e assim fazer “sucesso” no seu mundo real, como também para aparecerem na mídia e conquistarem seus 15 minutos de fama. É aí que observamos, mais uma vez, o poder que a mídia tem na vida social de pessoas comuns. A reprodução desses modelos continua generalizando as mulheres à categoria de “bunda arrebitada”.
Você só rebola, só rebola, só rebola e se rebaixa
E se encaixa no velho perfil:
Mulher objeto em pleno ano dois mil
E um, e dois, e três
Sempre tem alguém pra ser a bunda da vez
Te chamam de celebridade e você acredita
Enche o rabo de vaidade e arrebita
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
A partir daí a música critica essas mulheres que se vangloriam em usar sua bunda para tudo. São reconhecidas pela bunda. Falam pela bunda. Aparecem pela bunda. Verdadeiro “bando de bundão”.

"Mas seu cérebro é menor do que um caroço de ervilha" (Nádegas a declarar)
Exemplos claros são da Feiticeira e da Tiazinha, padrões clássicos de bunda-identidade. A personagem Tiazinha, foi criada por Luciano Huck no extinto Programa H, da Rede Bandeirantes.Máscaras e acessórios, que fazem parte de seus personagens, os quais escondem o rosto e, assim, sua“verdadeira” identidade. Vai ficar orgulhosasem saber o mau exemplo que tá dando pras crianças, adolescentes, adultas e adultos retardados que idolatram um simples rebolado
Aproveitando de mais um conceito do dicionário Larousse Cultural de que identidade é o conjunto de caracteres e dados próprios e exclusivos de uma pessoa: nome, sexo, filiação e etc, as mulheres citadas anteriormente se resumem a suas bundas. Não é a Joana Prado dançando como Feiticeira nem Suzana Alves como Tiazinha, atiçando as fantasias sexuais dos homens. É o corpo de alguém, que não sabemos quem é, dançando, rebolando. Além de não aparecer o rosto delas, os movimentos dançantes são feitos de costas, enfatizando bem o seu “passaporte para a fama”, já que é a bunda que é famosa, seu corpo que é famoso. Essa é a identidade delas.
Bunda conhecida, bunda milionária
Bonitinha mas ordinária
Que nem otária na TV, de perna aberta
Queima o filme das mulheres e se acha muito esperta
Vai, vai lá! Vai entrar na dança, vai usar a poupança
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
E a partir do momento em que elas resolveram se mostrar, ou melhor, mostrar o rosto, saíram da mídia. Onde está a Feiticeira hoje? Onde está a Tiazinha? A bunda da vez é a “bunda 2010”.

Queima o filme das mulheres e se acha muito esperta /Vai, vai lá! Vai entrar na dança, vai usar a poupança (Nádegas a Declarar)
São as ditas celebridades instantâneas. Aparecem, mostram o que têm que mostrar (a bunda) e somem. O que acrescentam para a sociedade? Consolidam os preconceitos, dão vida ao machismo. É o tipo da mulher famosa do século XXI. É a morte do sujeito, de que tanto falou Frederic Jameson. Os perfis das mulheres construídas proporcionam o fim do individualismo. Querem ter o corpo bonito da TV, serem a dançarina de um grupo de axé. E não é só querer ser igual a elas, é fazer de tudo para concretizar essa vontade para se sentirem inseridas nesse grupo de “rebolados”. São as mesmas bundas, os mesmos moldes, como se houvesse a produção em série de “bundas sorridentes”.
O quê que você tem além da bunda?
Pense bem que a pergunta é profunda
Não, não é isso, menina!
Eu não tô falando da sua… virilha
Que deve ser uma maravilha, mas seu cérebro é menor do
que um caroço de ervilha
A dignidade tá em baixa
Você só rebola, só rebola, só rebola e se rebaixa
E se encaixa no velho perfil:
Mulher objeto em pleno ano dois mil
E um, e dois, e três
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
Depois da participação da mídia na espetacularização do corpo feminino, em que as mulheres se tornam cúmplices da difusão dos estereótipos e dos preconceitos sociais sobre elas, tem-se como conseqüência a construção do perfil “mulher objeto”. Mas o que é um objeto? Pelo dicionário Larousse Cultural, é um bem material fabricado para atender a determinado uso. E é dessa forma que as mulheres passam a ser vistas. Não mais como um ser humano pensante, mas como algo que não tem vida, não tem sentimento, não tem opinião. A aparência feminina é o que resume esses valores pessoais. A mulher só tem serventia para usar o corpo instintivamente, já que racionalmente não tem nada a oferecer. É reconhecida e auto-reconhecida pelas partes do seu próprio corpo, em que depois de ser usado pode ser guardado ou descartado, perante as regras que são postas pela mídia – “Seja magra, tenha cabelos lisos, olhos claros, porque é assim que será considerada bonita”.
A rabeta arrebenta mas beleza não é tudo
Além da forma tem que ter conteúdo
Senão você se torna descartável
Que nem uma boneca inflável
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
Tornam-se descartáveis, principalmente para o sexo. Usou, não quer mais? Joga fora. Existem mais corpos disponíveis nesse mercado “bundalizado”. Não se valoriza o conteúdo. É a mulher como produto de consumo. É o erotismo estimulado nos discursos publicitários, tendo como exemplos clássicos as propagandas de cerveja.
Ela mesma se orgulha de sua função (“mulher objeto”) dentro desses espaços de propagação ideológica, pois se orgulha do que é valorizado (a bunda). Não está como um ser pensante e sim como um objeto de decoração apreciado por homens e mulheres.
Mas esquecem que objetos não mudam, não envelhecem, não engordam. E quando se dão conta de que a “perfeição” não dura para sempre, apelam para as cirurgias plásticas.
Amanhã você vai olhar pra trás
E vai ver que o seu colã já não entra mais
Vai querer fazer uma lipo, vai querer meter silico
E vai continuar pagando mico
(trecho retirado da música Nádegas a Declarar)
No Brasil, isso é alarmante, pois as mulheres, em desespero para continuarem a ser admiradas e invejadas, retardam o envelhecimento, fa zem super dietas. Brasil é o número 1 no ranking em cirurgias plásticas com finalidade estética.
Cada pessoa tem o seu próprio valor e que não é preciso imitar ninguém para se conseguir alguma coisa na vida. É necessário que os jovens sejam conscientizados de que eles têm seus próprios valores e, em muitos casos, são até melhores que as que eles encontram nesses supostos ídolos.

CONCORDO c vc em genero,numero e grau!!Esse post è tudo.Sabe,as vezes qdo saimos do nosso pais vemos ainda mais forte as caracteristicas nele presente e vindo p Italia vi ainda mais enfatizadas essas caracteristicas q vc apontou no seu post.Querida,infelizmente,cerebro,pensar, ter conteudo nao valem mais nada nesse mundo de imagem.Deixemos elas continuarem a pensar no bumbum…um dia ele cai!!
Vou publicar esse post no meu twitter,posso?è magnifico!!
Bjos de Roma
http://www.nayralaise.com
adorei desse seu poste vc falar o q existe equi no brasil muitas coisas insignifacante q existe ne pais
Adorei. Parabens.
Parabens. Muito bom